O Trauma e as Emoções na origem da Doença

Quanto mais estudo, mais compreendo a inteligência do nosso corpo. A sua capacidade de regeneração e de adaptação e, acima de tudo, a capacidade de falar connosco. Os sintomas que temos ao longo da vida permitem-nos perceber, se estivermos atentos, a estreita relação que existe entre mente e corpo.

Nada disto é novo. Sabemos que existe a somatização e sabemos que o pensamento positivo, o relaxamento, a meditação – e o amor – nos trazem saúde. Assim como comummente se diz que o stress causa doença. No entanto, que mecanismos existem subjacentes a tudo isto, a este conhecimento partilhado por todos nós?

Assisti hoje a uma Ted Talk do Dr. Nirdosh Kohra Bodhi, médico mexicano que, insatisfeito com o tratamento da sintomatologia dos seus pacientes, decidiu aprofundar os seus conhecimentos, viajando pelo mundo e contactando com outras culturas e com outras práticas curativas. Na sua Ted Talk, partilhou uma experiência pessoal e traumática, vivida aos 14 anos; relatou depois todos os problemas de saúde subsequentes a esse momento, ao longo de vários anos.

"Quando a Alma sofre, o Corpo chora."
— Sara Neves

Foi na senda de respostas à pergunta ‘porque adoecemos?’ que conseguiu compreender a estreita relação entre o trauma e a doença. Este tema leva-nos às 5 Leis Biológicas de Hamer. Ora, o Dr. Hamer foi um médico alemão que, nos anos 80 do século passado, após ter perdido o seu filho, adoeceu com cancro, assim como a sua esposa. Também ele decidiu compreender a relação entre uma experiência emocional inesperada, violenta e traumática e a doença que a seguir chegou. Apesar de ter radicalizado a sua teoria – levando-o a negar inclusive evidências científicas – as 5 Leis de Hamer são de extremo valor pois permitem-nos analisar em detalhe o processo de adoecimento, e tudo o que medeia o trauma e a manifestação da doença.

As suas leis defendem que as patologias não são falhas do corpo, mas sim programas biológicos de sobrevivência ativados por um choque emocional repentino e inesperado; ou seja, defendem a sabedoria do nosso corpo para lidar com um forte abalo emocional.

O estudo ACE (Adverse Childhood Experiences – Estudo sobre Experiências Adversas na Infância)

Nos anos 90 do século XX, o estudo ACE (Adverse Childhood Experiences – Estudo sobre Experiências Adversas na Infância), avaliou mais de 17.000 pessoas e cruzou traumas de infância (abuso, negligência, disfunção familiar) com a saúde na vida adulta. Descobriu-se uma relação de causa e efeito: quanto maior o "score ACE" (número de traumas), maior o risco de desenvolver doenças cardíacas, cancro, diabetes, doenças autoimunes e depressão na idade adulta.

Porquê?

Porque o trauma ativa o nosso sistema simpático (aquele que predomina no nosso organismo em momentos de stress e nos quais temos que estar alerta, lutar ou fugir); ora o stress é benéfico em situações pontuais, nas quais efetivamente temos que atuar e ter uma resposta rápida. No entanto, viver em stress permanente leva a que o sistema parassimpático atue de forma deficitária. O parassimpático é o sistema oposto e é o que nos leva a relaxar e que ajuda em processos como dormir, digerir alimentos ou efetuar a necessária reparação celular. Consequentemente, com o predomínio simpático, há uma depressão nas funções vitais, verificando-se danos profundos no organismo.

A relevância desta relação entre emoções e doença é tal que surgiu a especialidade médica psiconeuroimunoendocronologia, que estuda os processos psicológicos, o sistema nervoso, o sistema imunitário e o sistema endócrino.

Como é que este conhecimento te pode ajudar?

Não quero alongar-me acerca dos processos fisiológicos subjacentes a este exacerbamento do sistema simpático e como se refletem em doenças cardiovasculares, autoimunes, cancerígenas, dermatológicas, gastrointestinais, entre outras.

O que quero aqui realçar é que – conhecendo o impacto das emoções no nosso corpo – adquirimos o poder de protegermos o nosso contexto, o meio envolvente, a toxicidade que deixamos - ou não - que nos afete. Claro que controlamos pouco acerca do mundo e do que nos rodeia, mas há uma margem – ainda que pequena – na qual podemos tocar, fazendo escolhas benéficas para nós.

Mesmo que essas escolhas impliquem dizermos ‘Hoje não estou; vou à minha aula de Pilates’ ou ‘Magoaste-me e quero conversar acerca de como isso me afetou, para que não se repita’. E, em paralelo, podemos conscientemente escolher como reagir àquilo que o mundo nos traz; o pensamento positivo também se treina.

Simplificando, ao invés de vociferarmos

porque chove, agradeçamos

a dádiva de nos cair água do céu.

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