Psoríase e emoções: porque as crises pioram em fases de stress
A psoríase é uma doença inflamatória crónica da pele que afeta cerca de 2 a 3% da população mundial (World Health Organization, 2016). Caracteriza-se por manchas vermelhas, espessas e com descamação prateada, que podem surgir no couro cabeludo, cotovelos, joelhos ou em várias partes do corpo.
Embora a psoríase seja causada por uma resposta imunitária desregulada, muitos doentes notam que as crises não seguem apenas a biologia: pioram em períodos de stress, ansiedade ou sobrecarga emocional.
Neste artigo vamos explorar porque razão isto acontece, o que a ciência já sabe sobre a ligação entre pele e emoções, e como pequenas mudanças no dia a dia podem ajudar a controlar os surtos.
O que é a psoríase?
A psoríase é uma doença autoimune em que o sistema imunitário acelera o ciclo de renovação das células da pele.
Enquanto uma célula da pele saudável demora cerca de 28 dias a renovar-se, numa pessoa com psoríase esse processo pode ocorrer em 3 a 7 dias (Lowes et al., Nature Reviews Immunology, 2014).
Este ritmo anormal leva à acumulação de células, formando placas espessas, inflamadas e com descamação.
Além do impacto físico, a psoríase é também uma doença psicossocial, pois afeta a autoestima, a vida social e até o desempenho profissional.
A ligação entre stress e psoríase
Diversos estudos confirmam que o stress não é apenas uma consequência da psoríase — é também um fator desencadeante.
Segundo Gupta et al. (British Journal of Dermatology, 1989), mais de 60% dos
doentes relatam que episódios de stress antecedem uma crise de psoríase.
Uma revisão de Richards et al. (British Journal of Dermatology, 2004) destacou que a ansiedade e a depressão são significativamente mais prevalentes em pessoas com psoríase, criando um ciclo vicioso: o stress piora as lesões → as lesões aumentam o stress → o stress alimenta novas crises
O papel do eixo pele-cérebro
A pele e o sistema nervoso têm uma origem embrionária comum (ectoderme), e comunicam-se através de hormonas, neurotransmissores e citocinas inflamatórias.
Quando estamos sob stress:
O corpo aumenta a produção de cortisol e adrenalina.
Estes hormonas alteram a resposta imunitária e aumentam a libertação de citocinas pró-inflamatórias.
O resultado: inflamação crónica e aceleração do ciclo de renovação celular —agravando as placas de psoríase (Paus et al., Trends in Immunology, 2006).
Ou seja, a pele “ouve” as emoções e reage a elas.
Estratégias naturais para quebrar o ciclo stress-psoríase
-
Práticas de relaxamento podem reduzir a intensidade e frequência das crises:
Respiração diafragmática (4-7-8).
Meditação guiada ou mindfulness → estudos mostram que a prática regular reduz sintomas psicológicos e melhora a qualidade de vida em doentes com psoríase.
Yoga restaurativo → melhora sono, reduz tensão muscular e ansiedade.
-
Passiflora (Passiflora incarnata) → ansiolítica, melhora insónia.
Melissa (Melissa officinalis) → efeito calmante no sistema nervoso.
Camomila (Matricaria recutita) → anti-inflamatória suave e reguladora do
stress.
Infusões simples podem ser integradas no dia a dia como rituais de autocuidado.
-
A dieta pode modular inflamação e reduzir crises:
Peixes gordos e sementes de linhaça/chia → ricos em omega-3.
Frutas e legumes coloridos → xntioxidantes e polifenóis.
Curcuma com pimenta preta → apotente anti-inflamatório natural.
Evitar álcool, açúcar refinado e ultraprocessados → ligados a maior inflamação.
-
A dieta pode modular inflamação e reduzir crises:
Lavanda → relaxamento profundo.
Laranja-doce → promove alegria.
Olíbano (frankincense) →auxilia na meditação e no centramento emocional.
Usar em difusão no ambiente ou diluídos em óleo vegetal para massagens relaxantes.
-
Psoríase não é só física.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) demonstrou ser eficaz em reduzir sintomas de ansiedade e depressão associados à doença, com impacto positivo também nas lesões cutâneas (Fortune et al., British Journal of Dermatology, 2002).
A psoríase não é apenas uma doença da pele — é também uma doença da emoção.
O stress, a ansiedade e a sobrecarga psicológica podem ser gatilhos poderosos para crises.
A boa notícia é que existem várias formas de quebrar este ciclo: desde estratégias de gestão de stress até ajustes na alimentação e fitoterapia. O caminho não é de perfeição, mas de equilíbrio: pequenas escolhas diárias que reduzem a inflamação e devolvem qualidade de vida.
Referências: World Health Organization. Global Report on Psoriasis. 2016 | Lowes MA, Suarez-Fariñas M, Krueger JG. Immunology of psoriasis. Nat Rev Immunol. 2014 | Gupta MA, et al. Stress and psoriasis: a prospective study. Br J Dermatol. 1989 | Richards HL, et al. Psychological distress in psoriasis. Br J Dermatol. 2004 | Paus R, et al. The “brain-skin connection”. Trends Immunol. 2006 | Kabat-Zinn J, et al. Effectiveness of meditation-based stress reduction in psoriasis. Psychosom Med. 1998 | Chainani-Wu N. Safety and anti-inflammatory activity of curcumin. Altern Med Rev. 2003 | Fortune DG, et al. Randomized controlled trial of cognitive–behavioral therapy in psoriasis. Br J Dermatol. 2002